quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre o assassínio de Carlos Castro

Há crimes e suicídios que talvez fiquem sempre por desvendar. Vejam-se a mero título de exemplo os casos de Marylin Monroe e de Michael Jackson. Não é o que se passa com Carlos Castro. Neste brutal homicídio o que permanece na dúvida é o móbil do crime e a imputabilidade de Renato. Carlos Castro, Deus lhe tenha a alma em descanso, era um cronista social conhecido por ter uma língua viperina. Contudo, como é usual, depois de morto, vêm os panefígricos fúnebres. Lili Caneças chamou-lhe «poesta, visionário»... E já agora, porque não «grande místico»?... Enfim, deixemo-lo em paz. Compreendo que um homossexual tenha o direito de amar como qualquer outro ser humano, mas não admito que Renato seja ilibado: 1º: Porque era maior e sabia o que fazia; 2º: Porque parece ter agido por interesse, o que é vil e soez; 3º: Porque o crime foi hediondo. Acredito que quisesse libertar-se do amante que ao que parece lhe fazia a vida negra, mas daí a matar e matar da maneira tresloucadamente sádica como o fez deve incorrer em internamento psiquiátrico e prisão perpétua, pois muitas vezes o sangue puxa o sangue e quem faz uma faz duas. Se passar pela cabeça dos jurados deixarem-no sair em liberdade por ser tido como inimputável, o que é altamente improvável, este temível assassino poderá vir a tornar-se um «serial killer». Não concordo com o casamento dos homossexuais nem com a liberdade de abortar: o primeiro (cuja homologação foi a meu ver foi o pior erro de Cavaco Silva, que se devia ter abstido e não vai ter o meu voto) é um aborto pois é contra-natura, o segundo um crime, mesmo em casos tão extremos como o de violação. Nem mesmo um feto que se revele vir a nascer disforme merece a morte no ventre materno. A vida é extremamente complexa. Interrogo-me muitas vezes acerca de problemas estéticos e pergunto-me por que razão Deus criou seres tão belos e também permitiu a existência de monstros e demais aberrações. Ainda não sei responder e creio que se trata de um tema muito delicado. A homossexualidade é um desvio muito mais compreensível do que a atitude de um homem aparentemente «normal» como o assassino de Carlos Castro. o gigante Hércules teve uma crise de demência, matou a mulher e os filhos e Zeus fez dele uma constelação. Já diziam os gregos que «os deuses enlouquecem aqueles a quem querem perder». Renato poderá ter matado num acesso de loucura, mas não deve sair em liberdade, pois pode vir a ter novas crises. E o problema é que os próprios psiquiatras não sabem muito bem lidar com estas situações. Quem poderá estabelecer exactamente o limiar entre normalidade e demência? É, de facto, complicado tanto do ponto de vista médico como jurídico e dá muito que pensar.

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