segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Em defesa da língua portuguesa
Quantas vezes é preciso ensinar que em português não se diz «seiscentas gramas», mas «seiscentos»? Grama é relva. Será que somos portugueses ou brasileiros? E cada vez que corrigimos uma pessoa, a mesma mostra-nos má cara e parece que criamos nela um inimigo. Defender a língua portuguesa não é crime de lesa-majestade: é um dever de cidadania. Quem não sabe falar nem escrever tem de ser corrigido. Que compre uma gramática e um dicionário e aprenda sozinho, se se ofende. Que se corrijam os que têm má dicção e são belfos, por exemplo. Caso contrário, abstenham-se de usar da língua em determinadas funções, ou seja, nos casos em que a pureza da própria voz importa. Tudo se aprende com um pouco de esforço, pois querer é poder. Não falar a nossa língua correctamente é como que um relaxamento dos costumes. Temos tão bons autores que tanto nos podem enriquecer... Eça de Queiroz usava demasiados galicismos sem necessidade. No meu fraco entender não seria necessário posto que o português é uma língua notável justamente pela sua grandeza e versatilidade. Quem é que hoje se dá ao trabalho de ler umas páginas do Padre António Vieira? Disse Fernando Pessoa no «Livro do Dessassossego» que, quando leu nos «Sermões» uma frase que começava da seguinte forma: «Mandou Salomão construir um palácio...», chorou. Tão bela frase comoveu a sua sensibilidade poética. Quem lê Camilo ou Aquilino? Dá trabalho, é certo, porque há que ir ao dicionário, mas quão profícuo é esse trabalho...
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