sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Está tudo bem...

Comentou Dom Carlos de Azevedo o seguinte numa minha preparação para o crisma: «Os portugueses adoptaram do brasileiro o "Está tudo bem?" como forma de cumprimento, alegando que, quando era abordado nestes termos, respondia sempre: «Não está tudo mal. O planeta está mal, o país está mal e por aí fora...». É verdade que têm acontecido grandes desastres ecológicos e que provavelment estejam por vir outros ainda mais graves por culpa do próprio homem. O país está como se sabe, mas também há que ter em conta muitos factos positivos da parte de pessoas de boa vontade que procuram ajudar o próximo, preservar o ambiente, combater a pobreza, lutar contra a crise financeira, enfim, pessoas bem formadas e positivas. Mas parece que o mal está a sobrepor-se ao bem de forma assustadora. Chamo a atenção dos que me lerem para este grave fenómeno que assume proporções desastrosas para a humanidade e o meio ambiente em geral apelando-as a reflectirem e unirem-se a fim de evitar uma catástrofe que a mais ou menos longo prazo pode advir, pois as nuvens que pairam no horizonte parecem bem negras.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre o assassínio de Carlos Castro

Há crimes e suicídios que talvez fiquem sempre por desvendar. Vejam-se a mero título de exemplo os casos de Marylin Monroe e de Michael Jackson. Não é o que se passa com Carlos Castro. Neste brutal homicídio o que permanece na dúvida é o móbil do crime e a imputabilidade de Renato. Carlos Castro, Deus lhe tenha a alma em descanso, era um cronista social conhecido por ter uma língua viperina. Contudo, como é usual, depois de morto, vêm os panefígricos fúnebres. Lili Caneças chamou-lhe «poesta, visionário»... E já agora, porque não «grande místico»?... Enfim, deixemo-lo em paz. Compreendo que um homossexual tenha o direito de amar como qualquer outro ser humano, mas não admito que Renato seja ilibado: 1º: Porque era maior e sabia o que fazia; 2º: Porque parece ter agido por interesse, o que é vil e soez; 3º: Porque o crime foi hediondo. Acredito que quisesse libertar-se do amante que ao que parece lhe fazia a vida negra, mas daí a matar e matar da maneira tresloucadamente sádica como o fez deve incorrer em internamento psiquiátrico e prisão perpétua, pois muitas vezes o sangue puxa o sangue e quem faz uma faz duas. Se passar pela cabeça dos jurados deixarem-no sair em liberdade por ser tido como inimputável, o que é altamente improvável, este temível assassino poderá vir a tornar-se um «serial killer». Não concordo com o casamento dos homossexuais nem com a liberdade de abortar: o primeiro (cuja homologação foi a meu ver foi o pior erro de Cavaco Silva, que se devia ter abstido e não vai ter o meu voto) é um aborto pois é contra-natura, o segundo um crime, mesmo em casos tão extremos como o de violação. Nem mesmo um feto que se revele vir a nascer disforme merece a morte no ventre materno. A vida é extremamente complexa. Interrogo-me muitas vezes acerca de problemas estéticos e pergunto-me por que razão Deus criou seres tão belos e também permitiu a existência de monstros e demais aberrações. Ainda não sei responder e creio que se trata de um tema muito delicado. A homossexualidade é um desvio muito mais compreensível do que a atitude de um homem aparentemente «normal» como o assassino de Carlos Castro. o gigante Hércules teve uma crise de demência, matou a mulher e os filhos e Zeus fez dele uma constelação. Já diziam os gregos que «os deuses enlouquecem aqueles a quem querem perder». Renato poderá ter matado num acesso de loucura, mas não deve sair em liberdade, pois pode vir a ter novas crises. E o problema é que os próprios psiquiatras não sabem muito bem lidar com estas situações. Quem poderá estabelecer exactamente o limiar entre normalidade e demência? É, de facto, complicado tanto do ponto de vista médico como jurídico e dá muito que pensar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O que se diz da Igreja Católica

É lamentável que a Igreja Católica seja permanentmente acusada por parte de fiéis, o que é mais grave, e não fiéis. Aponta-se à Igreja o facto de não abdicar de determinados «sinais exteriores de riqueza» a favor dos pobres, esquecendo quem o diz as acções sociais e humanitárias da mesma sempre, em toda a parte, batalhando incansavelmente contra um mal quase impossível de erradicar, pois já o mesmo Jesus Cristo disse: «Pobres sempre os tereis.» O que pretendem tais pessoas? Que a Igreja venda os seus tesouros, esvazie as igrejas das imagens sacras, derreta o ouro e a prata e distribua pelos pobres as maravilhas de tantos operários que durante séculos e séculos trabalharam para que hoje nos possamos deslumbrar com um vitral, uma estátua, uma catedral...? A Igreja Católica esforça-se por aliviar o sofrimento humano material e espiritual. Por que razão as pessoas não se cingem à sua pequenez e se reconhecem incapazes de compreender factos que as ultrapassam? A Igreja Católica é uma instituição com 2011 de existência, que deu à humanidade grandes doutores, místicos e sábios. Não é qualquer um que sem humildade deve pôr em causa valores tão elevados muitas vezes sem se mesmo se questionar a si próprio. A Igreja teve santos como Francisco de Assis que abdicou de todos os seus bens como Jesus pregou, mas, quanto a mim, creio que existe um factor estético em todas as religiões presente tanto nos seus cânticos como nas suas imagens ou, enfim, nos seus ornamentos muitas vezes magnificentes e creio que esse mesmo factor pode por si só «elevar as almas» e chamá-las a Deus. As coisas não são simples: há que meditá-las antes de proferir opiniões irreflectidas. Actualmente, o que se passa no seio da Igreja Católica parece ser que as pessoas querem que esta se adapte aos seus interesses pessoais em vez de reconhecerem que são elas que têm forçosamente de se adaptar às regras de uma instituição milenar. A Igreja não deve pactuar com o casamento dos homossexuais nem com a liberdade do aborto. O primeiro é «um aborto»; o segundo, um crime. E fica muito por dizer...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Em defesa da língua portuguesa

Quantas vezes é preciso ensinar que em português não se diz «seiscentas gramas», mas «seiscentos»? Grama é relva. Será que somos portugueses ou brasileiros? E cada vez que corrigimos uma pessoa, a mesma mostra-nos má cara e parece que criamos nela um inimigo. Defender a língua portuguesa não é crime de lesa-majestade: é um dever de cidadania. Quem não sabe falar nem escrever tem de ser corrigido. Que compre uma gramática e um dicionário e aprenda sozinho, se se ofende. Que se corrijam os que têm má dicção e são belfos, por exemplo. Caso contrário, abstenham-se de usar da língua em determinadas funções, ou seja, nos casos em que a pureza da própria voz importa. Tudo se aprende com um pouco de esforço, pois querer é poder. Não falar a nossa língua correctamente é como que um relaxamento dos costumes. Temos tão bons autores que tanto nos podem enriquecer... Eça de Queiroz usava demasiados galicismos sem necessidade. No meu fraco entender não seria necessário posto que o português é uma língua notável justamente pela sua grandeza e versatilidade. Quem é que hoje se dá ao trabalho de ler umas páginas do Padre António Vieira? Disse Fernando Pessoa no «Livro do Dessassossego» que, quando leu nos «Sermões» uma frase que começava da seguinte forma: «Mandou Salomão construir um palácio...», chorou. Tão bela frase comoveu a sua sensibilidade poética. Quem lê Camilo ou Aquilino? Dá trabalho, é certo, porque há que ir ao dicionário, mas quão profícuo é esse trabalho...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Benedetta

A propósito de Fernando Pessoa: portugueses, por favor, leiam-no em vez de falarem tanto nele sem o conhecerem! Façam o mesmo com tudo. Infelizmente parecemos ser um povo que tem opiniões sobre tudo e mais alguma coisa sem ter aprofundado os assuntos acerca dos quais se exprime muito à vontade.

Em defesa da língua portuguesa

Dizia Fernando Pessoa: «A minha pátria é a língua portuguesa.» Vejam o que se diz e como se escreve nos media. Um país que tem um Presidente que larga na tv: «Estou encarregue» é uma tristeza. Portugal está a apodrecer por dentro. Não se vislumbram sinais de mudança. Se existem personagens de valor, que surjam para que o país possa ressurgir da mediocridade reinante.